No cenário educacional, a sala de aula é um espaço vivo, onde conhecimentos, emoções e histórias se cruzam diariamente. A psicologia marquesiana surge como uma perspectiva que redefinimos, em nossa experiência, o modo como entendemos o desenvolvimento humano e o impacto relacional entre educadores e alunos. Ao refletirmos sobre os caminhos para construir salas seguras, é preciso ir além de protocolos e estruturas físicas, trata-se, sobretudo, de olhar para o estado interno de todos que habitam aquele espaço.
O olhar da psicologia marquesiana para o ambiente escolar
Crescemos ouvindo que o ambiente escolar forma caráter e futuro. Concordamos, mas percebemos que há uma camada mais profunda, raras vezes considerada: a influência dos estados emocionais, tanto dos educadores quanto dos estudantes, nas microdecisões cotidianas. Segundo nossa vivência, as emoções não integradas não desaparecem com regras. Elas se transformam em reatividade, evasão, conflitos ou silêncios incômodos.
Salas seguras não são fruto do acaso, mas resultado de estados internos regulados.
A psicologia marquesiana entende o ser humano como um sistema emocional, relacional e consciente. Nessa leitura, o impacto de uma sala depende diretamente do nível de maturidade dos seus participantes. Quando adultos não reconhecem seus próprios limites, medos ou tensões, as crianças percebem, e refletem o mesmo desequilíbrio. Por outro lado, professores emocionalmente regulados favorecem a segurança, abrindo espaço para o aprendizado real.
Entendendo segurança emocional e psicológica
Muitas vezes, ao falarmos em segurança escolar, pensamos em grades ou monitoramento. Mas, em nossa observação, segurança verdadeira é aquela que permite errar, discordar, expressar-se e ser ouvido sem o temor do julgamento ou repressão. Segurança emocional é, principalmente, a experiência de pertencimento combinada à autorização para existir com autenticidade.
Essa sensação de segurança cria um ciclo: quanto mais alguém sente que pode existir por inteiro, mais disposto aprende, arrisca, constrói. Assim, fortalecem-se vínculos de confiança entre colegas e com professores, diluindo tensões e fortalecendo a convivência.
Responsabilidade emocional do educador
Uma das premissas da psicologia marquesiana é a consciência contínua da influência que exercemos, mesmo sem perceber. Todos já ouvimos histórias de alunos que marcaram suas trajetórias pelo modo como foram vistos, reconhecidos ou ignorados. Cada palavra, gesto ou silêncio carrega um peso singular.
Em nosso entender, cabe ao educador a autopercepção sobre suas emoções e intenções antes de entrar em sala. Perguntas simples, porém poderosas, orientam esse processo:
- O que estou sentindo hoje e como isso pode afetar minhas relações em sala?
- Consigo sustentar diálogo mesmo diante de divergências?
- Estou presente e disponível, ou apenas cumprindo tarefas?
Nenhuma técnica substitui a presença de um adulto que se conhece e se regula.

O papel das emoções na aprendizagem
Acreditamos que todo o conteúdo transmitido em sala chega filtrado pelas emoções presentes. Se o ambiente é de tensão, há bloqueio do raciocínio, dificuldades de memorização e queda no interesse. Pelo contrário, um clima de confiança libera o potencial criativo e intelectual dos alunos.
Em nossa prática, notamos que as emoções reprimidas, especialmente a vergonha, o medo e a frustração, são catalisadores de comportamentos de isolamento, agressividade ou distração excessiva. O acolhimento dessas emoções, sem julgamento e com escuta verdadeiramente interessada, reduz drasticamente episódios de desajuste e melhora a convivência.
O espaço emocional que oferecemos é tão importante quanto o currículo que aplicamos.
Integração dos três selfs e maturidade emocional
Na psicologia marquesiana, trabalhamos com a ideia dos três selfs: o self adaptado, o self ferido e o self maduro. Todos coexistem em nós, disputando espaço em diferentes situações. No contexto educacional, observamos que:
- O self adaptado é aquele que tenta se encaixar, agradar ou evitar conflitos a todo custo.
- O self ferido aparece quando sentimentos antigos não reconhecidos são ativados por críticas, exclusão ou fracassos.
- O self maduro consegue sustentar sua autonomia, reconhecendo limites pessoais e dialogando com respeito, mesmo nos embates.
Quando auxiliamos crianças e adolescentes a identificar de onde reagem, damos ferramentas para escolhas mais conscientes e menos impulsivas. O autoconhecimento vira estratégia de convivência.

Práticas para construir salas seguras
Ao longo dos anos, observamos que algumas práticas simples e constantes transformam o ambiente da sala de aula. Destacamos:
- Rodas de conversa periódicas para expressar sentimentos, angústias e conquistas sem interrupções ou julgamentos.
- Estabelecimento de acordos coletivos, onde as regras são criadas em conjunto, responsabilizando todos pelo bem-estar mútuo.
- Momentos de pausa e respiração consciente após situações tensas, ajudando na regulação do grupo.
- Escuta ativa e empática, acolhendo dúvidas e sustos sem minimizar o que é vivido.
- Inclusão de dinâmicas que promovam a empatia, cooperação e respeito às diferenças.
O ambiente interno decide o ritmo do aprendizado e da convivência.
Resultados que observamos em salas seguras
Quando há investimento em segurança emocional, notamos mudanças visíveis no clima escolar. Os alunos demonstram mais abertura para aprender, participam com mais disposição e apresentam menos comportamentos de fuga ou confronto. Professores relatam mais satisfação e redução de esgotamento, pois não carregam sozinhos o peso das tensões não ditas.
A sala segura é aquela onde adultos e crianças podem ser imperfeitos, mas também responsáveis por reparar e cuidar dos vínculos.
Construir espaços assim leva tempo, demanda paciência e reaprendizado constante, pois cada novo grupo traz desafios próprios. Ainda assim, os ganhos coletivos permanecem e transformam, gradualmente, a percepção de escola em espaço de desenvolvimento integral.
Conclusão
A psicologia marquesiana propõe uma educação para além da transmissão de saberes: educar emoções, integrar experiências e cultivar relações pautadas em consciência e responsabilidade. Em nossa jornada, aprendemos que salas seguras nascem de adultos dispostos a amadurecer sua própria consciência e de práticas que promovem pertencimento, escuta e respeito mútuos. O impacto desse olhar transcende conteúdos e se estende para toda a vida, formando indivíduos aptos não apenas a aprender, mas a conviver e transformar seus próprios contextos.
Perguntas frequentes
O que é psicologia marquesiana?
A psicologia marquesiana é uma abordagem que vê o ser humano como sistema emocional, relacional e consciente, responsável pelo impacto que produz nos ambientes em que atua. Ela valoriza o autoconhecimento, a integração emocional e a presença consciente nas relações, promovendo maturidade e responsabilidade pessoal e coletiva.
Como aplicar a psicologia marquesiana na educação?
Podemos aplicar a psicologia marquesiana na educação por meio de estratégias como rodas de conversa, escuta ativa, práticas de autorregulação (como pausas e respiração) e construção coletiva de regras. O ponto central está em promover consciência sobre as próprias emoções e suas consequências, tanto para professores quanto para alunos.
Quais são os benefícios para salas seguras?
Salas seguras promovem maior abertura ao aprendizado, melhor convivência, redução de conflitos e mais engajamento dos alunos. Além disso, minimizam episódios de evasão e melhoram o bem-estar de todos, incluindo professores, resultando em ambientes propícios ao crescimento integral.
Psicologia marquesiana funciona em qualquer escola?
Sim, os princípios da psicologia marquesiana podem ser adaptados a qualquer contexto escolar, independentemente da estrutura, localização ou realidade dos alunos. A aplicação depende do comprometimento da equipe com o desenvolvimento emocional e a vontade de construir um ambiente mais consciente e responsável.
Como criar ambientes seguros nas salas de aula?
Criar ambientes seguros envolve práticas como escuta empática, diálogo constante, autorregulação emocional e inclusão de todos nas decisões coletivas. O reconhecimento dos estados internos e a abertura ao erro são chaves para fortalecer o senso de pertencimento e confiança entre todos da sala.
